Seleção e tradução de Francisco Tavares
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Soam tambores de guerra no mundo
Por Benito Villaamil
Publicado por
em 27 de Fevereiro de 2026 (original aqui)
Todos os dias nos levantamos com um novo conflito armado em grande escala.
Hoje tomámos conhecimento da escalada da guerra entre dois grandes países da Ásia: o Paquistão e o Afeganistão. No Extremo Oriente, o Japão, após o esmagador triunfo da direitista Sanae Takaichi apoiada totalmente pelos Estados Unidos, está a rearmar-se e anuncia a instalação de mísseis perto da ilha de Taiwán. A China ameaça represálias duras se o Japão seguir esse caminho. Ao sul, no Mar da China, ocorre um confronto, por enquanto apenas com canhões de água, entre o exército chinês e navios de pesca filipinos.
Colocar a PAZ em primeiro lugar e defender em todos os foros internacionais a rejeição da utilização das armas deve ser o eixo que guie a atuação de qualquer política que se reivindique progressista e de esquerda
Os Estados Unidos e o Canadá aconselham os seus súbditos a deixar Israel e o Irão enquanto grandes porta-aviões carregados de armas chegam a Haifa e uma poderosa frota ameaça o Irão. As conversações entre Irão e os Estados Unidos sobre os temas nucleares não parecem estar no bom caminho e Trump, perante os resultados da sua intervenção militar e sequestro do primeiro mandatário venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores, parece decidido novamente a um ataque armado em toda a regra.
Uma patrulha armada procedente dos Estados Unidos tenta entrar em Cuba. Dispara contra uma guarda costeira cubana e no final morrem quatro terroristas e seis são detidos. O governo cubano adverte estar disposto a defender o seu território e os Estados Unidos aumentam o bloqueio agravado pela proibição de importação de petróleo para estrangular a maltratada economia cubana. A pressão estado-unidense continuará e uma intervenção militar não está descartada.
A África mantém abertos grandes conflitos como a guerra civil do Sudão, na República Democrática do Congo, Somália, Nigéria, Sudão do Sul e Líbia, além da tensão permanente no Sahel.
Na Europa, a guerra da Ucrânia eterniza-se e são lançadas mensagens contraditórias sobre um possível cessar-fogo ou acordo de paz. Nos últimos dias de fevereiro, o serviço de inteligência exterior da Rússia comunicou que a França e o Reino Unido preparam a entrega de armas nucleares ou componentes para a fabricação das mesmas à Ucrânia. A Alemanha, segundo estas fontes, recusou-se a fazer essa entrega. A Rússia considera que este facto constitui uma violação do Tratado de não proliferação nuclear e Dimitri Medvedev, alto funcionário do Conselho de Segurança da Rússia, manifestou que se reservam o direito de responder com todo o seu arsenal, incluindo armas nucleares, contra os países fornecedores. Tanto a Ucrânia como a França negaram estas acusações.
A experiência a que estamos a assistir de um “mundo sem regras” e do desprezo em relação ao direito internacional e à ONU, obriga-nos a não menosprezar ou ignorar as ameaças das grandes potências, sejam elas Estados Unidos, Rússia, China ou Índia.
Israel ameaça anexar a Cisjordânia e o novo embaixador dos Estados Unidos em Espanha defende que Israel tem o direito de ficar com todo aquele território por “direito bíblico”. Chegámos a este ponto no que diz respeito ao direito internacional e aos acordos de paz.
Com todos estes conflitos abertos ou em andamento, não é de admirar que a faturação das 100 maiores empresas de armas do mundo tenha atingido um máximo histórico em 2024, atingindo 679.000 milhões de euros, um aumento de 5,9% em relação a 2023. Ainda não se conhecem os dados do ano de 2025, mas com certeza baterão um novo recorde. As empresas armamentistas dos Estados Unidos representam quase metade do total das vendas. As empresas deste setor no Japão e na Coreia do Sul aumentaram 40% e 31% as suas receitas.
Frente a esta situação, cada vez são mais minoritárias as vozes que defendem as soluções pacíficas dos conflitos, o desarmamento tanto nuclear como convencional e as políticas de diálogo e soluções diplomáticas.
Colocar a PAZ em primeiro lugar e defender em todos os foros internacionais a rejeição da utilização das armas deve ser o eixo que guie a atuação de qualquer política que se reivindique progressista e de esquerda.
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O autor: Benito Villaamil é colunista e colaborador do diário digital Nueva Tribuna, onde escreve sobre temas de sociedade, redes sociais e actualidad política.


